Não procure pelas respostas que não podem ser dadas, pois você não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo o que há.
Viva as perguntas agora e talvez, sem se aperceber disso, algum dia, você conviverá com as respostas".
Montagem de palavras de RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta. São Paulo: Globo, 1998. p. 37.
EPÍLOGO
Foram concretas 6.352 visualizações e exatas 165 postagens. Foram três aniversários... dois meus e um do AveSSo. Foram vários selos e mêmes, mas ao completar 1 ano, 8 meses e 15 dias o AveSSo dA ViDa anuncia seu fim.
Aqui busquei um porto e o fiz, de fato, um grande e seguro porto. Fiz confissões à meia lua e me expus. Comecei do nada escrevendo em pseudônimos até a maturidade de me definir... de me revelar "O escritor". Comecei de uma dor e por ela finalizo esta etapa. Aqui fecho as portas do AveSSo e entrego a chave ao tempo.
Ele que durante bem perto de dois anos me ensinou tantas coisas. Ensinou-me a lutar pelo que tanto queria. Mostrou-me que o bom da vida mesmo é o compasso ardente das tentativas, mesmo que nem cheguemos a atingir o tão desejado sonho.
Porque sonhos são tão efêmeros quanto à vontade lúcida de nada disto estar acontecendo, mas está... e não há como negar que coisas mudaram. Mudaram aqui, ali ou em qualquer lugar. Mudaram sem minha anuência e, por certo, por meu incorrigível propósito.
Devotei ao AveSSo o melhor de mim e dele fiz palanque. Entoei versos e declarei vida. Falei de verdades... e esperei calmamente por elas. Vi o antes se tornar real e vi novamente o evaporar disto tudo. Vi, ao som do teclado, muitas coisas ditas. O anonimato que se define e a definição que se afasta. Fiz loucuras e conquistei quem nem se quer me via.
Vi um agosto intenso de corredores e olhares, e de marcas nunca mais iguais.
Fui eu... fui genuinamente este tal Rodolfo. Inteiro e lutando abertamente por ser verdadeiro. Fui eu e desafiei os limites que até então minha mente ditava.
Nestes últimos dias li e reli tudo o escrito desde à tarde de quinta-feira 28 de dezembro de 2006. Foram momentos de evolução. Foi um processo de maturidade na escrita, na forma de expressão, no jeito criterioso de comunicar desejos e na evidente sensação de que podia sempre mais.
No início tudo parecia muito casual e a intenção nunca explícita. No começo, bem lá no começo, eu achava que era impossível chamar atenção num rélis blog novo perdido na imensidão do todo, mas num processo de acreditação as pessoas foram chegando batendo na porta e devagar entrando.
Comecei a ver pessoas dispostas a me seguir... dispostas, antes de tudo, a compartilhar um sonho. Encontrei amigos de verdade num mundo, às vezes, tão fútil. Encontrei outros lugares cheios de intensidade, que me mostraram que o caminho estava certo. Encontrei pessoas, que assim como o escritor aqui, não se furtavam de contar sentimentos.
Sentimentos... ah os sentimentos tão vastos e tão fortes à carne.
Dilacerados em vermelho carmim, emanando vida viva... pendurados à feira municipal.
Compra-se, vende-se, doa-se...
Sentimentos ditos em palavras, em versos, em fotos e em músicas. Sentimentos, antes de tudo, sentidos. Sentidos de dor, de alegria, de comunhão, de desejo, de soberba, de glória, de contentação, de espera...
Sentidos de gente. Gente que fala e que pensa. Gente que comenta... e me fez tanto crescer. Gente que veio aqui gastar um tempo precioso lendo, entendendo, pensando e contribuindo com palavras de incentivo, de afeto, de concordância ou não... mas contribuindo. (Obrigado aos meus amigos... vocês foram e sempre serão importantes. Não quero citar nomes... carinho maior é o contado dia-a-dia).
Contribuição nunca entendida por alguns... nunca ouvida do jeito que tanto contei. É bem verdade que meus escritos nunca foram tão óbvios... e taí a grande chave deste espaço. O dito por mim toma diversos caminhos na prospecção de quem ler. E isto em si é mágico. Magia das boas... das mais apuradas. Magia das palavras de luta.
Amigos... lutar por sentimentos é tarefa para poucos, e isto o AveSSo soube mostrar. O fiz, o disse, o senti, o vi, o vivi... jamais fugi disto.
Ao longo desse tempo todo, o AveSSo dA ViDa nunca me cobrou nada. Estava o tempo todo a me ouvir. Fiz dele um confessionário virtual. Sem medo de ser julgado desenhei aqui verdades ditas outrora a poucos. Andei ao longe num processo de acurácia do meu ser... de refinamento da pungente alma.
Não me resta mais continuar... ao não ser em outros caminhos. Não me resta mais informar... a vida por se só informa e diz em clareza lunar: é hora de ir.
Ir talvez onde nem eu pensaria ir... ir talvez onde o novo me pega pela mão ou só me chama ali na esquina.
Ao todo... ao AveSSo, a você leitor e a mim mesmo... só me resta agradecer e partir.
Levo comigo o intangível, o intocável... o que não posso jamais excluir do peito. Levo comigo a minha trajetória e a minha essência. Tudo o mais fica para sempre longe da minha visão.
Como na minha pessoal vida, algumas portas já se fecharam e hoje mais um ciclo se fecha para renascer em outra instância.
Fica a saudade e o desejo de que tudo não tenha sido em vão, nem mesmo o novo agosto.
Despedidas... intenções... desejos.
Encontraremos-nos em breve.
Todos.
Rodolfo Lima
12 de setembro de 2008.
[ 12 é mágico.. é meu dia e no AveSSo é o 21 que tanto persegui. ]
[ 12 mais dois... e 14, que seja talvez um dia de novas esperanças. ]
Foto: www.theologizando.blogspot.com/2008_03_01_archive










